Vinte e cinco meses e parece-me que a aprendizagem se desenvolve em espiral. Novas capacidades e habilidades, palavras e frases todos os dias. Este fim de semana, andou de triciclo, daqueles evolutivos que servem para empurrar e ser empurrado, e vi que chegou a altura de por mesmos os pés a mexer e passar ao pedal; sentou-se à nossa mesa às refeições, sabendo sempre que se não fica sentada só pode estar de joelhos na cadeira, nas nossas cadeiras, e para pedir o pão, ou a água, se diz "pu favô"; passeou num mercado ao livre enquanto comia uma maçã acabada de comprar a um produtor e meteu as mãos no tabuleiro das azeitonas de uma vendedora. Contou histórias, sozinha, e sabendo a história de cor, ao invés de ser o avô F. a contar foi a Rosarinho que nos contou a história, do Autocarro Mágico, várias vezes com as expressões e vozes com que ouve o avô contar. Dormiu bem à noite e mal as sestas e ainda quer o biberon à meia-noite. À vinte e cinco meses...
domingo, 22 de janeiro de 2012
Dois anos e um mês
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coisas que não quero esquecer
Saudades
Saudades das noites em que ia para a cama e se despedia de nós com um adeus, atirava beijos para o ar e enrolava-se nos lençóis, de rabo para o ar e, simplesmente, dormia. Agora é uma dor. Desde que começo a dizer que está na hora de ir lavar os dentes, as mãos, mudar a fralda, que se ouve um não temeroso, quando insisto para arrumar os brinquedos, os olhos começam já a ter lágrimas e, depois, é chorar, com as lágrimas a rolar, de pé, na cama e a chamar mãeeeeeee, enquanto hesito entre afastar-me logo, resoluta e calma, ou dar mais um mimo, um beijo, uma festa.
Começou uns dias antes dos dois anos, recordo-me de começar a notar a diferença em pequenos pormenores da rotina. A resistência tem aumentado e, se ainda não posso chamar uma guerra à hora de dormir, felizmente, o que me parte o coração é deixá-la chorar.
Eu sei, eu sei, ela chora durante cinco minutos, mesmo, contados no meu relógio, mas o que me doem esses tantos minutos! E depois desses minutos, as horas do dia em que ando a pensar se não estou a ser um coração de pedra por deixá-la assim, na cama, sozinha, no escuro, a chamar por mim, por companhia, por mimo. Depois ouço a voz da consciência e da razão, que é o pai, e que relembra, que ela não tem fome, não tem frio, tem mimo e amor durante todo o dia, está num quarto quente e confortável, não está deixada no escuro, mas aconchegada, confortável, com a porta entreaberta para nos ouvir e ver uma luz de presença.
Então porque é que continuo a perguntar-me se é este o caminho, deixá-la na cama, mesmo que a chorar por um bocado, ou se devia ceder à escravatura do mimo e ficar a dar colo, sob pena ser raptada todas as noites, como os meus pais, que reclamam não ter dormido durante três anos porque eu sempre adormecia ao colo e sempre acordava quando me punham na cama? Porque é que então me pergunto se não estarei a embarcar em modas pedagógicas? Pode ser o melhor, sim, pode ser que não deixe os traumas que eu fico a imaginar que podem ficar, e, sim, vou persistir. Mas vou sob protesto! Ensinem lá uma mãe a negar mimo à sua cria e não ficar para morrer com o coração do tamanho de uma ervilha?...
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Natal - quase no fim
Natal até aos Reis. Mas sinto a nostalgia e o vazio desta pós-época de festas. Este ano especialmente cheia, com os dois anos da Bolinha, a Consoada, o Dia de Natal, os anos do avô F. e a passagem de ano, tudo menos de 10 dias.
Foram muitos os planos para aproveitar estes dias e muitos ficaram pelo caminho, prontos a serem reciclados para o ano que vêm. Mas no meio da agitação constato o quanto cresceu. Cresceu em tamanho, disso não à dúvida, mas também a linguagem desenvolveu-se bastante, o raciocínio desenvolto, atento e muito curioso. Alegria, sempre muita alegria! Corre, ri, aprendeu a saltar e a cantar. E canta muito...! Adora a família toda e as tias que andam sempre a visitar e a mimar. Chama por todos quando alguém toca à porta porque agora o bom mesmo é estar sempre em festa. De preferência com mais pejentes!
quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Dois anos!
PARABÉNS, minha querida! É indescritível o que se sente neste dia. Como no ano passado recordo uma sensação nova, que mais o que o dia de aniversário ser um dia de felicidade pelo outro, é um dia que me enche o peito de ar, me insufla como um balão e me apetece dizer a todos que hoje fazes Dois Anos!
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Natal IV - Pai Natal
Os desenhos animados já há tempo que foram invadidos pelo Pai Natal e companhia. É claro que a Rosarinho rapidamente passou a adorar a figura gordita, de barbas compridas e fato encarnado. Mas hoje houve um encontro imediato com um Pai Natal e lembrei-me de histórias de crianças que com esta idade acabam por ter medo da figura mascarada por mais que gostem dos desenhos. É que ela achou graça mesmo ao Pai Natal, e eu fiquei a pensar que é mesmo preciso ser uma criança com confiança, sem medos ainda e que olha o mundo, assim, com este ar arregalado, uma curiosidade inata, e se ri, porque só vê no que a rodeia motivos para sorrir. Quem dera sejas sempre assim!
Natal III - Jesus
Desde as mudanças que não sei onde pára o nosso presépio! Tenho ainda esperança de o encontrar porque o LM diz lembrar-se de o ver durante a mudança... Ainda assim, embora ainda não esteja o presépio na sala mas sim em parte incerta, a Rosarinho tem um no quarto dela, pequenino, que lhe ofereceu a Tia N. ainda no ano passado. São três figurinhas de cerâmica, muito amorosas, com um ar redondo, de criança, que eu adoro. Resolvi pô-lo na cómoda do quarto da Rosarinho e ainda que com receio que fossem alvo de brincadeiras como os bebés que por lá andam, fiz a apresentação das figuras. Expliquei que havia um bebé, Jesus, e a mãe, Maria, e o pai José. Logo foi repetindo, "a Maía, o Jojé, o Jujus". Que tinha que ter cuidado e brincar devagarinho. E lá vai brincando... De vez em quando pede para tirar o presépio e sempre penso que vai ser desta que se parte ou lasca ou qualquer coisa, mas até à data sobrevive, e lá vai dizendo o "Jujus, a Maía, o Jojé".
Natal II -a àrvore
Montar a árvore de Natal com a Rosarinho foi, para mim, uma surpresa. Estava à espera de um grande entusiasmo com as caixas de enfeites, a própria àrvore, as luzes. E que com esse entusiasmo fosse criar-se uma grande confusão, espalharem-se as bolas e os outros enfeites por todo o lado, etc. Para meu espanto, não obstante a excitação de ver sair do caixotes tanta cor e brilhos novos foi concentradíssima que acompanhou e ajudou no processo. E digo ajudou porque quem colocou as "bólhinhas" na árvore foi a mesmo a Rosarinho, com imenso cuidado e delicadeza. E depois retirou todas e "redecorou". E voltou a tirar, e a colocá-las todas num só lado, todas juntas, bem agrupadas. E então redecorei eu. E durante uns dias andámos nisto!...
Natal I
Já é Natal cá em casa há três semanas. Quando eu era pequena, o 8 de Dezembro era o dia de fazer árvore lá em casa. Lembro-me de andar sempre ansiosa, de achar que já era tão tarde para finalmente enfeitar em casa mas valia a pena e tínhamos um ritual que ainda hoje consigo reviver só de lembrar. É o dia de Imaculada Conceição e tínhamos sempre uma missa a que íamos no colégio onde eu andava, e a meio da tarde, quando regressávamos a casa, era tempo de montar a árvore, ir buscar os enfeites aos caixotes, fazer o presépio.Em geral dávamos "cor" ao evento, e fazíamos todos os preparativos de Natal ao som de música da época, algum Jazz e os sempre Bee Gees do meu pai. Havia bolo ou algum assado para jantar porque me lembro sempre da cozinha quente e a cheirar bem.
Com a minha família, agora, achei que manteria o dia de Imaculada Conceição com a mesma tradição, mas não fui capaz de resistir ao apelo do Natal com uma filha pequena!
E valeu a pena!
terça-feira, 22 de novembro de 2011
23 meses
Ultimamente noto que as birras aumentam. São, sem dúvida, os dois anos a chegar. . Convencê-la a fazer o que não quer é mais difícil, já não se deixa distrair com tanta facilidade. Porque não quer tomar o remédio, porque não quer trocar a fralda, porque não quer largar Os patinhos, ou o Mickey para ir tomar banho, ou porque não quer sair do banho. Não quer as batatas, quer ir para o chão, não quer ir para a cama...
Dito assim parece muito, mas, ainda assim, continuo a não poder dizer que a Rosarinho seja minimamente birrenta. Felizmente, não são todas as birras ao mesmo tempo. Acho que do elenco escolhe umas duas birrinhas por dia.
Perto do segundo aniversário, continua uma menina doce, sempre bem disposta, muito ternurenta e cada vez mais feminina. São as brincadeiras com o "bebés", as papas, faz camas, encontra cantinhos e casas em todo o lado. Adora desenhar e já conhece as cores: o azul, o amarelo, o rosa, o verde, o azul, encarnado e roxo. Adora as letras que vê nas histórias, mas chama a todas "dois". Dá beijinhos e abraços, e quando gosta de uma comida, sorri, franzindo completamente os olhos e diz "é booommm". É gulosa, mas nunca experimentou um rebuçado. Chama "tina" à gelatina e pede pão sempre que chega a casa. Adora "ler" histórias na cama às bonecas.
Corre pela casa e noto uma desenvoltura motora muito grande que adquiriu nos ultimos dois meses.
E há dois dias que tenta cantar!... De frente para a televisão, tenta repetir os jingles dos anúncios, muito baixinho, ensaiando a voz ao estilo cantora de ópera, vai repetindo "ah-AH-AHHHH..."! A sério, ainda tenho que filmar!... ahahah!
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Rosarinho vai à escola
De volta à escola
Depois da consulta com a pediatra no sábado, a Rosarinho está de volta ao infantário. Na verdade, percebi que já tinha saudade. Desde quinta ou sexta-feira que se lembrava dos amigos e das educadoras, dizendo os nomes, um pouco sem propósito, "vanexa-pêdo-mateo-maiana"... Na verdade, ao contrário do que temi, voltar à rotina depois de uma semana em casa não custou muito, não houve muito choro à saída de casa deixando-me para trás. Só um choro pequenino e uma cabeça virada para trás, um "mãe" prolongado, mais para marcar posição que outra coisa! Fico contente, fico mesmo contente!
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